Saturday, July 11, 2015

AS MÃOS ABENÇOADAS DA DOUTORA SAMARA, A GINECOLOGISTA DOS SONHOS


O primeiro ginecologista a gente nunca esquece.

O meu era um senhor muito simpático, mas com mãos meio trêmulas, chamado Evaldo. Era amigo de toda a minha família. Tinha Consultório em Uberaba, cidade próxima a Muzambinho, onde fica a nossa fazenda. 

Em Muzambinho, acreditem ou não, não havia um único Ginecologista. 

Aliás, não havia nenhum Hospital também. 

Eu e todos os meus irmãos, irmãs e primos nascemos em casa, através de parteiras, já que não haviam obstetras.   

Eram outros tempos. 

E eu, que já sabia com clareza qual era a minha preferência sexual, sonhava com o dia em que poderia ter autonomia para escolher meu próprio médico -- e ter "uma" ginecologista, e não "um" ginecologista. 

Até então, minhas brincadeiras sexuais eram apenas com meninas da minha idade. 

Ficava toda encharcada só de me imaginar sendo observada por uma mulher adulta, completamente rendida diante dela com minhas pernas escancaradas e a meu bucetão completamente exposto naquelas magníficas cadeiras ginecológicas. 

Imaginava que não poderia haver forma mais plena de afirmação como mulher do que sendo iniciada nos Mistérios da Velcrolândia através de uma profissional que conhecesse de cor e salteado todas as inúmeras potencialidades do corpo feminino.
Só aos 19 anos, já morando no Rio de Janeiro, pude finalmente me consultar com uma Ginecologista de verdade. 

Achei que meu sonho iria virar realidade, mas... não. 

O que aconteceu foi absolutamente anticlimático, de uma frieza e impessoalidade assustadoras. 

Custei a assumir minha decepção, tanto que me consultei com oito Ginecologistas num período de um ano, e uma era mais distante e desinteressada que a outra. 

Não conseguia entender como elas conseguiam não se sensibilizar com uma bucetinha jovem, arisca, sempre úmida e inebriantemente perfumada como a minha. 

Foi quando desisti e voltei a me consultar com Ginecologistas homens. Dois deles me comeram, imobilizada naquela cadeira -- e foi legal, ainda que meio "off-topic" na minha longa lista de experiências sexuais. 

Teve um Ginecologista lá em Brasília que, sabendo das minhas preferências sexuais -- sou linguaruda, falava abertamente das minhas fantasias --, se propôs a agir como se fosse uma mulher, primeiro me atedendo travestido no Consultório, para a seguir me render com os dedos e com a língua em sua cadeira ginecológica.

O resto, claro, teve que ficar por conta da minha imaginação -- mas como a minha sempre foi muito fértil, servia como paliativo e valia o preço da consulta.
Pois bem: muitos anos se passaram. 

Hoje, aos 69 anos, morando em Santos, São Paulo, comento com meu chefe e amigo Manuel Mann -- um português que é absolutamente tarado -- que acabo de comprar uma dessas cadeiras ginecológicas num leilão para poder brincar de médico de forma mais contundente com minhas coleguinhas de velcro. Cheguei a ter uma dessas em casa quando morei em Berlin, e a mulherada que eu arrastava para lá adorava. "Infelizmente, nenhuma delas era Ginecologista, pois meu sonho de consumo é ser devorada por uma delas"

Manuel dá gargalhadas e diz que eu sempre o surpreendo. Me conta, reservadamente,que gosta tanto de brincar de médico que possui um Consultório Médico fake e um Consultório Dentário fake num dos quartos de seu apartamento, além de um armário repleto de trajes brancos de médico e de enfermeira, e pijamas com logos de Hospitais. "Lá em casa só não tem comida de Hospital, o resto tem", diz ele.

Então, ele olha sério para mim e diz: "Que estranho nenhuma das tuas amigas jamais ter indicado uma ginecologista lésbica para ti. Eu, que sou lésbico assumido, conheço algumas". Fico paralizada quando ele diz isso. "Conheces? me apresente então"

"Claro! O nome dela é Doutora Samara Fishbein. Minha amiga pessoal. Presta serviços para a Empresa. Mando sempre minhas meninas para ela cuidar. É uma morena linda de 50 anos de idade, bocuda, belos seios, lembra um pouco a Sophia Loren, as meninas gostam dela, dizem que tem atitude... enfim, ela joga no nosso time, acho que vais gostar..." 
Tremo na base. 

Invento que preciso fazer meu check-up ginecológico anual -- tudo mentira, fiz há menos de 3 meses -- e Manuel diz: "Fique tranquila, minha Secretária vai marcar uma hora com ela para esta semana ainda, pois ela sempre tem a agenda aberta para nós, faz parte do nosso acordo". 

Pouco depois, a secretária de Manuel me avisa que tenho consulta marcada com a Doutora Samara para o dia seguinte, às 6 da tarde. 

Mal consegui dormir à noite. 

Uma vida inteira de muita putaria passou pela minha cabeça naquela madrugada. 

Sabe aquele clip que fizeram para a gravação de "Hurt", do Nine Inch Nails, feita por Johnny Cash? 

É por aí... só que numa versão XXX.


Cheguei no Consultório da Doutora Samara Fishbein quase uma hora antes do horário marcado. 

Dei uma sacada na clientela. 

Tinha uma loira corpulenta com jeitão de garota de programa, uma morena magrinha e insinuante e uma senhora com um jeito mais acanhado. 

A morena e a senhora ficaram apenas quinze minutos. Já a loira grandalhona ficou mais de 40 minutos. Pensei comigo mesma: "Acho que vim ao lugar certo". 

A secretária, uma ruiva bem gostosa e bem vulgar, me ofereceu um monte de edições antigas de CARAS e de QUEM para ler. Agradeci, e puxei da bolsa "Antes de Você Dormir", romance da Linn Ullmann (filha de Liv Ullmann e Ingmar Bergman), que comecei a ler uma noite dessas. 

Claro que não consegui mergulhar na leitura direito, estava ansiosa demais para isso.

Então, meu nome foi chamado, e meu coração disparou. 

Entrei, e lá estava ela.

Doutora Samara Fishbein. 

Ela era tudo o que o Manuel havia descrito, e mais um pouco. Mulherão. Lembrava realmente Sophia Loren. 

Disse "Boa Noite" e me pediu sorrindo que eu sentasse numa poltrona e aguardasse um instante. Anotou algo numa pequena agenda e depois sentou-se à minha frente. 

Perguntou minha idade. 

"69 anos", disse. 

Ela respondeu: "Nossa... não parece". 

Agradeci a gentileza, sorrindo. 

Pediu que eu falasse um pouco sobre mim, e eu, tensa, saí falando tudo aquilo que vocês, que acompanham minhas desventuras por aqui, estão carecas de saber. Ela apenas sorria, sem demonstrar grande entusiasmo, mas sem indiferença. Ponto para mim, pensei.

Mas quando terminei de falar, ela parou de sorrir e começou um verdadeiro interrogatório. 

Perguntou se eu estava muito estressada no trabalho...

Se, além de sexo, eu fazia alguma outra atividade física com frequência...

Se o tempo médio dos meus relacionamentos amorosos ultrapassava um mês...

As perguntas foram ficando mais íntimas, e ela insistiu para que eu não omitisse nenhum detalhe.

Perguntou se já tinha transado com mais de um homem ao mesmo tempo, ou com mais de uma mulher ao mesmo tempo, ou participado de surubas, ou transado com animais. 

Respondi sim para todas as perguntas. 

Contei a ela que, muito tempo atrás, tive uma cadela em casa que costumava lamber minha buceta por cima da calcinha no finalzinho do meu período menstrual. 

O nome dela era Florence, em homenagem a Florence Nightingale. 

Vez ou outra, Florence invadia meu quarto enquanto eu me enroscava com alguma mulher, e começava a participar da nossa brincadeira com sua língua enorme. 

Era tão gostoso que comecei a deixar ela me lamber sem calcinha sempre que eu ficava sozinha e meio carente. 

Claro que se fosse um cachorro, eu não permitiria isso. 

Ao menos, acho que não.
Doutora Samara riu com meu comentário, e logo a seguir voltou ao interrogatório.

Perguntou se eu já havia experimentado sexo anal, dupla penetração, sadomasoquismo, fisting e brinquedinhos eróticos. 

Disse que sim, todas elas, apesar de não ser adepta nem simpatizante de sadomasoquismo e de nunca ter tido experiências muito agradáveis com fisting. 

E então, depois de quase meia hora de um questionário que parecia não ter fim, ela finalmente pediu que eu me despisse. 

Achei que ela, quando me visse nua, iria me agarrar como uma ninfomaníaca desenfreada. 

Mas não, nem olhou para mim. 

Apenas pediu que, quando estivesse despida, vestisse um avental e passasse para uma outra sala. 
Lá, ao lado da icônica cadeira ginecológica, com os suportes de pernas bastante altos, havia um aparelho de tevê, vídeo, uma micro-câmera e outros utensílios que não entendi direito para que serviriam. 

Doutora Samara pediu que eu me reclinasse, me deu um copo com uma substância adocicada -- que ela se disse ser um tipo de tranquilizante, sem contra-indicações -- e pediu que eu relaxasse. 

Disse que iria passar um vídeo com cenas eróticas, e que ela estaria monitorando as reações do meu corpo a cada sequência de imagens. 

Colocou uma música minimalista e muito envolvente -- acho que era Philip Glass, mas não perguntei, portanto não tenho certeza --, depois suavizou a intensidade da luz da sala, ligou o vídeo sem o som e me deixou sozinha. 
A primeira cena era de um casal de bichas marombadas com pirocas duras e enormes se beijando apaixonadamente no alto de um carro alegórico. 

Os dois começam um 69 frenético, um engolindo a piroca do outro com um vigor desenfreado. 

Gozam, desabam e, logo a seguir, começam a ser enrabados por duas vixens -- aquelas mulheres corpulentas, muito peitudas -- usando strap-ons -- vulgo, cinturões com pirocas de látex -- extremamente bem dotados. 

As duas arregaçam com os cus das duas bichas. 

Após deixá-los rendidos e desnorteados, elas relaxam. E repousam.
Nesse momento, o filme para, e Doutora Samara entra na sala, coloca luvas cirúrgicas em suas mãos e começa a tocar em minha buceta, que está totalmente encharcada. 

Sinto seus dedos me tocarem e escorregarem para dentro com muita facilidade. Eu gemo e, não aguentando mais, peço encarecidamente que ela enfie seus dedos na minha buceta. 

Ela me atende, eu gozo, e em seguida ponho minhas mãos sobre as dela e faço com que deixe seus dedos dentro de mim por alguns segundos. 

Como dizem em Houston: "We Have Ignition"


Recupero meu fôlego e ela então vem até mim, sorrindo e perguntando se poderia continuar com o "exame". 

Sorrio dizendo que sim. 

Nesse ponto, as duas vixens do filme já estão num 69 frenético, uma esfregando a buceta na cara da outra com relativa truculência. 

De repente, as duas desgrudam e uma começa a fazer fisting na buceta da outra. 

A outra retribui com um fisting com duas mãos, uma na buceta e outra no cu da parceira. 

Eu, ao ver aquelas cenas, não consigo evitar fazer movimentos quase que involuntários com meus quadris.

Dou a maior bandeira, como um cachorrinho que não consegue evitar abanar o rabo. 
Então, Doutora Samara mais uma vez interrompe o filme e entra na sala, me flagrando totalmente tomada pelo desejo. 

Ela agacha diante da minha buceta, começa a tocá-la suavemente e antes, mesmo que eu saia do transe em que me encontro, sinto seus dedos escorregando para dentro de minha buceta. 

Graças à camera nas mãos dela, pude ver pelo monitor algo inimaginável: minha buceta sendo penetrada pelos dedos de minha médica, sem dor de espécie alguma. Só mais um dedinho e ela teria toda a sua mão dentro de mim. 

De repente, num movimento cadenciado e contínuo, como uma espécie de massagem, a mão dela entrou por inteiro. Senti seus dedos se movimentando lá dentro, enquanto tinha espasmos de orgasmos contínuos. Tirava toda a mão e a introduzia novamente, arrancando de mim mais e mais gemidos. 

Como consegui viver 69 anos sem experimentar algo assim é um mistério para mim.
Doutora Samara parou com a brincadeira por alguns instantes, e trouxe um pequeno aparelho para introduzir uma pouco de água morna no meu cu. 

Senti o líqüido entrando, até me dar a sensação de que eu deveria ir correndo para o sanitário. Ela disse para eu segurar uns dois minutos para depois evacuar toda a água. Era uma engenhoca de limpeza intestinal, muito utilizada por quem gosta de dar o cu sem fazer lambança e sem odores desagradáveis.

Retornei do banheiro completamente nua. 

Ela sorriu, viu que eu era intrépida, e pediu que eu sentasse como estava antes. 

Retirou os suportes das pernas da cadeira ginecológica e pediu que eu segurasse minhas pernas na altura dos joelhos, expondo meu cu por completo. 
Com um pote de lubrificante, começou uma massagem nas nádegas e nos arredores do cu. 

Vestiu luvas de látex, lubrificou as mãos e, delicadamente, começou os trabalhos. 

Com o dedo indicador, Doutora Samara massageava meu esfíncter, passeando delicadamente por cada prega ainda restante em meu calejado derrière. Introduziu bem devagar o dedo, deixando que meu cu se acostumasse por um minuto, e depois foi forçando até todas as falanges entrarem. Quanto mais ela massageava, mais eu me contorcia na cadeira, suspirando de tesão e dor, tudo ao mesmo tempo. Essa brincadeira deve ter durado mais de quinze minutos, primeiro com dois dedos, e depois com três. O quarto dedo e o quinto entraram quase que simultaneamente. 

Doutora Samara interrompeu o processo para lubrificar suas luvas mais uma vez, e voltou apontando seus cinco dedos para meu cu, que agora entraram com facilidade. 

Pediu que eu respirasse fundo, e, como num passe de mágica, lá estava toda a sua mão dentro do meu cu. 

O prazer que eu sentia era totalmente diferente de qualquer coisa que tenha experimentado antes: mais prolongado e menos explosivo que eu jamais poderia imaginar. 
Doutora Samara então pediu que eu permanecesse relaxada e seguisse respirando fundo. 

Sem tirar sua mão de dentro do meu cu, penetrou com a outra mão na minha buceta, suavemente, até entrar por inteiro. 

Nesse momento tive o mais intenso orgasmo de toda a minha vida. 

Depois de alguns minutos, ela retirou bem devagar, com um cuidado todo especial, primeiro a mão que estava no meu cu, e depois a que preenchia minha buceta. 

Mandou que eu ficasse na mesma posição em que estava para poder ver tudo em detalhes pelo monitor, e, com uma mão em cada face da minha bunda, começou a enfiar sua língua quente e úmida por todos os meus orifícios, até que eu gozasse mais uma vez. 

Por último, veio até a minha boca e me beijou. 
A consulta não parou por aí.

Depois de tudo isso, Doutora Samara finalmente ficou nua diante de mim, e me convidou para tomarmos um banho juntas alí mesmo no Consultório, em meio a muitos beijos e abraços, muito dedo e muita sacanagem. 

Enquanto nos enxugávamos, sua secretária ruiva -- o nome dela era Sheila -- entrou e nos surpreendeu nuas. 

Sorriu e perguntou: "Doutora Samara, posso dar o expediente por encerrado?" 

"Só se você não quiser jantar conosco" 

"Opa... vai rolar hora extra!", disse a ruiva, sorrindo maliciosamente.
Fomos as três jantar uma pizza na Pizzaria Van Gogh. 

É, possivelmente, a melhor pizzaria da cidade. 

Mas é, com certeza, a mais cafona também. 

Espelhos e vidros jateados por todos os lados, luz de padaria por todos os lados, interiores confusos e mal projetados... é um pesadelo visual. 

Mas o atendimento é excelente. 

Pedimos uma pizza com mozzarela de búfala ao natural coberta com pesto de castanhas e azeitonas pretas e manjericão. 

Como continuávamos com fome, pedimos uma segunda pizza, de calabreza artesanal com cebolas roxas e azeitonas chilenas. 

Para acompanhar, duas garrafas de Periquita. 

Quer vinho mais adequado a uma ceia lésbica?

A Van Gogh fica na Floriano Peixoto 314, no bairro do José Menino, em Santos, e -- para quem não aguenta tanta luz, tantos espelhos e tanto vidro jateado -- tem um eficaz serviço de delivery pelo telefone 3205-3636.
Depois disso, fomos as três lá para casa. 

Dessa vez, nada de fisting, apenas uma surubinha soft entre nós. 

Samara ofereceu Sheila para mim e ficou meio de lado, só de observadora, nua, com uma taça de vinho nas mãos. 

Em pouco mais de meia hora, pus a ruiva a nocaute. Não foi tarefa das mais difíceis, pois ela tinha trabalhado o dia inteiro.

Enquanto a ruiva dormia profundamente num dos sofás da sala, Samara e eu ficamos na varanda deitadas na espriguiçadeira, nuas e abraçadas, cobertas por um edredom, até o amanhecer. 

De repente, era como se eu fosse uma menina de 19 anos novamente. Estava estranhamente feliz. Um ciclo obsessivo se fechava na minha vida. Não é uma sensação exatamente confortável. É como se a vida estivesse chegando perto do fim.  
Acordamos as três mais ou menos juntas no dia seguinte pela manhã. Era sábado. Servi café para as duas, e esquentei na frigideira as sobras da pizza de ontem, para logo em seguida recomeçamos nossa surubinha de novo -- agora as três juntas. 

Por volta do meio dia, quando finalmente conseguimos pôr os pés para fora de casa para almoçar, recebo do porteiro do prédio um ramalhete de flores. 

No cartão, a mensagem: "Espero que Samara tenha preenchido todas as tuas espectativas. Bom fim de semana, Manuel"

Pois é, Maneco, te devo mais essa.




Jurema Cartwright, 69, escreve 
semana sim, semana não, 
sobre suas aventuras amorosas 
e as delícias da baixa gastronomia 
em MANIA FEIRA





Friday, May 22, 2015

TROCA DE ÓLEO EM LESBOS, DEPOIS GOLF EM IDAHO

Seis meses atrás, quando voltei ao Brasil a convite de meu amigo portuga Manuel Mann, com quem trabalhei vários anos na National Geographic como jornalista e fotógrafa, minha intenção era sossegar o rabo, reduzir o ritmo de trabalho e preparar a minha aposentadoria.

A idéia de fixar base em Santos foi providencial. Como diria minha avó, que passou sua vida em nossa fazenda em Muzambinho, as melhores cidades são aquelas que "não cheiram, nem fedem". Santos é uma dessas cidades. Tem lá seus encantos. É cosmopolita e decadente o suficiente para receberr uma cidadã como eu. E possui um rebanho de potrancas desalinhadas sexualmente que são facilmente identificáveis na praia ou pelos bares da cidade. 

Eu confesso que não suportaria voltar a morar em São Paulo, uma das piores cidades do mundo para se viver: arquitetonicamente feia, urbanisticamente desengonçada, e misteriosamente cara. Quem faz a apologia dessa metrópole caipira, certamente não circulou muito pelo mundo afora. Metrópoles são para os jovens, que querem abraçar o mundo inteiro com as mãos. 
Eu não sou mais jovem. Tenho 69 anos. Já circulei pelo mundo inteiro, e se tiver que escolher os lugares do mundo que gostaria de abraçar, confesso que -- tirando Londres, Paris e Berlin -- não escolheria nenhuma metrópole. Prefiro cidades de tamanho médio, mas que sejam charmosas, e não tenham uma alma provinciana muito arraigada. Santos bate com esse perfil.

Mesmo situada à beira mar, Santos é quente o ano inteiro, pois foi erguida sobre o mangue. Daí, mesmo quando chega o frio, a cidade não esfria tanto assim. Às vezes, sopra um vento frio do mar e a coisa muda de figura, mas, a não ser nessa situação, não faz frio na cidade. A temperatura mínima no apogeu do Ivernon é de 12, 10 graus. Já morei em lugares realmente frios, e odiei cada minuto disso. Quando o frio intenso vem acompanhado de umidade, aí a coisa fica grave. 

Eu gosto de viver aqui. De verdade. Mas ando meio entediada ultimamente. Com vontade de sair por aí, viajar um pouco. Mas não sou mais free-lancer. Perdi a mobilidade que tinha antes. Mas como disse a mim mesma que iria sossegar, agora tenho que cumprir.
Mas então, chego ao trabalho e Manuel me chama para conversar. Diz que está me achando meiio cabisbaixa de uns dias para cá. Pergunta se está tudo bem comigo. Eu digo que sim, que não é nada demais, que estou um pouco entendiada, mas já já passa. Ele sorri e me diz: "Não estás com saudades da vida que levavas anteriormente?" Respondi que sim, um pouco, mas era questão de me acostumar a esse novo momento na minha vida, e que com o tempo... Antes mesmo que eu continuasse a me explicar, ele me perguntou: "Entendes de golf?" Disse a ele que sim -- mentira! --, que já tinha feito algumas coberturas de Campeonatos tempos atrás -- mentira, tudo o que sei sobre golf aprendi acompanhando pela imprensa o escândalo sexual Tiger Woods -- , e que gostava muito de golf -- mentira novamente, estou mais para Hunter S. Thompson, que se chapava de todas as drogas possíveis e imagináveis para escapar do tédio de uma partida de golf e conseguir escrever alguma matéria eletrizante a respeito.

Não gosto de mentir para Manuel, ele é um cara legal, mas o caso é que tive a nítida sensação de que ele iria me propor algo interessante, que me viria bem a calhar neste momento aborrecido que estou vivendo. 
Foi quando ele disse: "Jurema querida, fui convidado para ir até Idaho, fronteira com o Canadá, para conhecer um Campo de Golf diferente de todos os outros, extremamente high-tec, e não vou poder ir, pois estou atolado em trabalho esta semana e na próxima, daí tenho que enviar alguém em meu lugar. Topas?"

Aceitei sem pestanejar, mesmo sabendo que Primavera em Idaho deve ser gelada. tar fazendo mais frio ainda do que aqui. Não havia tempo a perder, a passagem era para o dia seguinte. Manuel me dispensou do trabalho para que eu fizesse as malas e me preparasse para a viagem.  Mal sabe ele que eu, macaca velha, tenho sempre duas malas prontas no meu guarda-roupas: uma com trages de inverno e outra com trages de verão. Como estamos na Meia Estação, bastaria misturar um pouco do conteúdo de uma mala com um pouco do conteúdo da outra. Meia hora de trabalho, se muito.

Saí do trabalho me sentindo ótima. Era desse movimento que eu estava precisando. Minha vida estava doméstica demais. Mesmo minhas aventuras sexuais estavam começando a ficar emotivas e pouco sacanas. Nesse ritmo, eu fatalmente iria acabar me apaixonando por "alguma tipa" qualquer hora dessas. Fui salva pelo gongo.
Ao invés de ir para casa, fui ao cinema ver um filme delicioso com Catherine Deneuve e depois fui ao Heinz, (Lincoln Feliciano 104, reservas: (13)3286-1875) um bar tradicional localizado nos arredores do Canal 3, pertinho da praia, onde há 55 anos servem o melhor chopp de Santos. Quando cheguei lá, o bar ainda meio vazio. Era final da tarde. Escolhi uma mesa, pedi um Chopp Heineken (7 reais) e o delicioso Peixe a Escabeche da casa (40 reais). Na falta de companhia, comecei a ler o novo romance de Ian McEwan, "The Children Act". Mas parei quando começam a chegar várias mulheres um tanto quanto ruidosas, e sentaram na mesa bem ao lado da minha. Eu, que sempre muito curiosa, fiz de conta que estava absorvida pelo livro enquanto prestava atenção à conversa delas.
As três estavam na faixa dos 35 anos. Uma morena, uma mulata e uma loira legítima. Todas muito bonitas, mas duas delas visivelmente gostosas. A terceira -- a mulata -- era magra demais. Elas comemoravam alguma coisa, mas, como falavam todas ao mesmo tempo, era meio difícil entender. Aparentemente, uma delas teria sido promovida no trabalho. Começaram a beber, e a falar cada vez mais alto. Eu aproveitava para dar umas filmadas eventuais nas três, que, depois do quarto ou quinto chopp, já estavam bem desinibidas. 

Numa determinada hora, uma delas -- a morena -- levantou-se para ir ao banheiro, e a mulata deu um leve tapinha na bunda dela, A morena sorriu, então viu que eu estava olhando de esguelha e ficou toda encabulada. Foi quando eu sorri para ela. E ela sorriu para mim. Eu me levantei e fui até o banheiro atrás dela. Como ela estava trancada, tive que aguardá-la do lado de fora. Quando ela saiu, me sorriu novamente. Retribuí. Permaneci dentro do banheiro 3 minutos exatos, contados no relógio, e, ao voltar para a mesa, as três me olharam e me convidaram para sentar com elas. Aceitei.

Eram três funcionárias públicas da Prefeitura, de três setores diferentes. A morena, que tinha sido promovida, era arquiteta. A mulata, do RH. E a loirinha, advogada. Falei um pouco de mim para elas. Ficaram fascinadas com o meu pedigrée. Quando disse a elas minha idade, não acreditaram, disseram que eu parecia ter 50 e poucos, no máximo. A loira, já meio bêbada, chegou a dizer que eu estava "com tudo em cima, vestida para matar". Fiquei lisonjeada. Senti que era questão de mais alguns poucos chopps até poder propor a elas uma esticadinha até minha casa. Meu faro de caçadora é bom. O meu timing, melhor ainda. Não deu outra: uma hora mais tarde, já estávamos todas lá em casa.

No início, achei que as três estavam me medindo. Não pareciam ser sapas com muita atitude. Nenhuma delas tinha perfil de "abelha rainha", todas eram meio "operárias", e sem liderança. Talvez nem fossem exatamente sapas. Tentei arregimentar todas elas numa mesma brincadeira, mas elas escorregaram. A única que se chegou foi a loira. A morena e a mulata ficaram distantes de nós duas, e pareciam ter um arranjo afetivo próprio. Eu deixei tudo rolar solto e tirei a roupa da loira. Me irritou um pouco a falta de asseio dela, por conta do cheiro intenso de xixi maturado na sua buceta. As outras duas tomaram o cuidado de se lavar antes de começarmos uma brincadeira entre elas. A loira não. Mas tudo bem, bati para ela uma siririca bem intensa para a "tipa", visando resultados imediatos. A seguir, arrastei a loira mijada para a minha Jacuzzi, pois estava morrendo de vontade de enfiar a cara naquela buceta. Obviamente, lavei bem as partes da moça antes de fazer a imersão. Ela se derreteu toda. Impressionante como era desleixada a moça. Buceta peluda demais, parecia um terreno baldio. Isso para não falar da virilha abandonada e das axilas mal aparadas. Não deixei por menos: fiz barba, cabelo e bigode nela. Deixei-a jeitosinha. Ela sentiu que rolava carinho da minha parte. Retribuiu com sua língua quente passeando por todo o meu corpo e entrando firme no me cu. Despertei uma demônia agradecida que vivia dentro dela. 
Quando saímos da Jacuzzi, nuas e enxutas, e chegamos na sala, vimos as outras duas, nuas na varanda, provavelmente tremendo de frio. Fomos até lá chamá-las para vir para dentro, e elas vieram meio relutantes, e não se juntaram a nós. Perguntei à loira o que estava acontecendo, e ela disse: "Não liga, não, parece que elas estão apaixonadas, andam estranhas comigo, me escantearam nas últimas vezes, soube que andam saíndo somente em dupla". Foi quando eu disse para a loira: "Vem comigo, vamos arrepiar". Cheguei já chupando os peitinhos da mulata e massageando a buceta da morena. A loira veio no meu vácuo, e começou a lamber o cu de uma delas enquanto enfiava o dedo no cu da outra. Tinha tudo para embalar e virar uma suruba. Mas não. As duas continuaram relutantes, meio esquivas. Foi quando me ocorreu propor a elas um drink. E peguei uma infalível garrafa de Mescal com um escaravelho dentro, que trouxe de uma viagem ao Mexico ano passado. As quatro beberam o primeiro cálice. Depois, renovamos o brinde a pretexto de não deixá-las pegar um resfriado depois de tanto tempo nuas na varanda. 

Quando já estavam todas doidonas de Mescal, convoquei a loira a retomar o ataque às outras duas. E finalmente deu certo. Atacamos as duas sem piedade, e as deixamos explodindo de tesão. A mulata era magra, mas tinha um bucetão magestoso, Enfiei um vibrador básico no cu dela enquanto chupava sua buceta até sentí-la gozar na minha boca. Gozo intenso, abundante, descontrolado. Passei-a para a loira dar o arremate final e ataquei impiedosamente a buceta e o cu da morena, que gritava feito uma desarvorada de tanto prazer. Enfiei na buceta dela um pintão de latex propositadamente torto, com massageador de clitoris incluído. Ela, já sem voz, olhava para mim como se estivesse tendo uma síncope. Depois de gozar algumas vezes, desabou no sofá da sala, com as pernas abertas e a bunda para cima. Entreguei-a nas mãos da loira, puxei a mulata para perto e finalmente conseguimos começar uma suruba a quatro.  E a sacanagem rolou solta até por volta da meia noite, sem parar, com aquelas funcionárias públicas meio apáticas a princípio se chupando sem parar e se esvaindo num gozo ruidoso e lindo de se ver.

Fui até a cozinha e servi uns salgadinhos para elas para repor as energias e engatar um segundo round, mas a mulata e a morena, sorrindo, disseram que precisavam ir embora, pois tinham que acordar cedo no dia seguinte, e inteiras. Mas saíram de casa felizes e satisfeitas. Deixaram seus telefones e disseram que querem repartir a dose numa outra ocasião. Sobrou lá em casa só a ex-loira mijada, agora uma loiraça exuberante. Das três, era a mais gostosa. Seu nome era Edilaine.
Saímos as duas pela madrugada, bêbadas de Mescal, atrás de cigarros -- os dela haviam acabado. Difícil achar o Dunhill vermelhinho que ela fuma no CPE, em frente à Igreja do Embaré. Tentamos o Restaurante Olímpia, mas já estava fechado. Propus a Edilaine irmos até alguma lanchonete no Centro, mas ela disse que tinha medo. Daí, o jeito foi seguir para São Vicente, pois o Quiosque da Cris com certeza estaria aberto. Estava. E estava quase vazio. Um casal (marido e mulher, que fique bem claro) estava tentando ser atendido, mas a garçonete bichinha insistia em dizer que a cozinha não estava mais funcionando. Dissemos para a bichinha que era muito cedo para fechar, que aquele lugar tem uma tradição notívaga que não estava sendo honrada, etc e tal, mas não adiantou. Se Cris estivesse por lá, o casal seria atendido. Como não estava...
Ficamos conversando com o casal inconformado. O nome dele era Clodoaldo, mas disse que seus amigos o chamavam Clodão. O nome dela era Morgana. Eram de Nhandeara, uma cidadezinha no interior de São Paulo, não muito longe de São José do Rio Preto. Tinham um sotaque caipira assustador. Eu, que sou de Minas e conheço muitos sotaques medonhos, afirmo categoricamente: o deles era um exagero. Mas eram um casal muito bonito. Ele, moreno, forte, tatuado. Ela loira, peituda, bunduda, coxuda, entre outros predicados. Estavam em São Vicente hospedados num apartamento que alugaram pela web e que estava imundo e completamente detonado. Estavam achando a cidade um horror. Propus aos dois que, para deixar uma boa imagem da nossa região, viessem até minha casa, pois teria o maior prazer em cozinhar alguma coisa para eles em plena madrugada.
Eles toparam. E vieram conosco. Preparei um fetuccini com molho branco, manjerona e bacon. Receita rápida, fácil de fazer -- até para mim, que sou uma péssima cozinheira. Pois eles adoraram. De sobremesa, servi taça de sorvete com Bis e licores. Foi quando Clodão bateu o olho na garrafa de Mescal com o escaravelho dentro e ficou espantado. Expliquei que trouxe a garrafa do México e que, poucas horas atrás, tinha servido Mescal para Edilaine e duas outras mulheres numa tentativa de dar algum gás a uma suruba meio desanimada entre nós duas e outras duas mulheres. O casal sorriu nesse momento. Disseram que Nhandeara, onde moram, é muito provinciana, mas conheciam uns casais em Monte Aprazível, Mirassol e Votuporanga que gostavam desses embalos em grupo, e que se encontravam nos finais de semana, sempre hospedados nos sítios ou fazendas de alguns desse grupo de amigos. Perguntei se eles gostavam dessa brincadeira. Ele olhou para ela e disse: "Gostávamos, mas cansamos, começou a rolar muita cocaína, e onde tem cocaína tem psicopatas". Disse, olhando para Edilaine: "Nós gostamos de surubas, e não gostamos de cocaína". Edilaine sorriu e me beijou. Arrancou minhas roupas e começou a chupar meus peitos alí na mesa mesmo, diante do casal, que parecia estar gostando bastante do que estava vendo. De repente, Morgana levantou da cadeira, arrancou as roupas de Edilaine e começou a chupá-la por trás, da nuca até o cu. Seguimos as três para minha cama king-size, onde, completamente nuas, engatamos uma segunda suruba naquela mesma noite. Morgana era gostosona, toda preparada, com silicone pelo corpo todo e parecia uma dançarina do Tchan, mas tinha lá os seus encantos. E Clodão assistia a tudo, com seu pau enorme nas mãos, batendo uma punheta suave enquanto nós três nos entrelaçávamos sobre o lençol. Num determinado momento, ele pediu para entrar na brincadeira. Morgana disse: "Não, quietinho aí". Ele obedeceu. E ficou nos observando enquanto nos divertíamos com a série de vibradores Os Vingadores que eu acabei de receber pelo Correio. Quase brigamos para ver quem iria vestir o Dildo Hulk, e em qual buceta ele iria sambar. No final, todas usamos, e todas encaramos. Mulherada intrépida...  
. Só depois de meia hora de muita putaria com os amiguinhos acima, mais as tesourinhas e um 69 triplo mortal, Morgana chamou Clodão para deitar na cama, puxou nós duas pelo braço e ofereceu o pinto de Clodão para nós chuparmos. Aceitamos de imediato. Edilaine batia com o pinto dele contra sua cara enquanto eu chupava seu saco e enfiava o dedo no cu dele, e Morgana esfregava sua buceta sentada no braço esquerdo musculoso dele. Quando ela finalmente enterrou o vibrador do Capitão América no cu do maridão, ele finalmente gozou -- e olha que ele segurou o quanto pode, quase 15 minutos --, nós duas ficamos encharcadas de tanta porra que voou nos nossos rostos. Espalhamos aquele líquido pela nossa pele e chamamos Morgana para lamber em nossos corpos o sêmen de seu maridão. Foi uma pândega. Culminou com Morgana arrastando Clodão para uma chuveirada reanimadora, enquanto Edilaine e eu assistíamos ao espetáculo quietinhas, da Jacuzzi, com nossas mãos entrelaçadas, alegrando nossas bucetinhas. Ver Morgana dando o cu para Clodão debaixo do chuveiro foi um tour de force para aquela noite memorável. Verdade seja dita: Clodão faz juz ao apelido no aumentativo. O caipirão pintudo não é fraco não.
Já eram 6 da manhã. Estávamos destruídos. Servi café com ciabatta com queijo e mamão papaya para as meninas e uma Caracu com ovo para Clodão (pedido dele). Nós, meninas, comemos em silêncio. Não sabíamos o que dizer uma para o outra. Ríamos vez ou outra. 

Deixei todos em suas casas depois do café, voltei, arrumei minha mala e segui para o Aeroporto de Guarulhos rumo ao tal Campo de Golf high-tech de Idaho, que está com todo o jeito de ser uma bela roubada. Tomara que esteja enganada. Cansada como estou, devo dormir antes mesmo do avião decolar de Cumbica e acordar na hora em que pousar em Los Angeles. 

Me ocorreu agora que se eu contar para Manuel, maluco por surubas como ele é, que promovi duas numa mesma noite aqui em casa -- e sem putas envolvidas --, ele se muda para cá e nunca mais vai querer ir embora daqui. Melhor ficar quieta. Sabedoria mineira.

Jurema Cartwright, 69, escreve 
semana sim, semana não, 
sobre suas aventuras amorosas 
e as delícias da baixa gastronomia 
em MANIA FEIA.





Wednesday, May 20, 2015

VOVÓ, MAMÃE, TITIA E O DOCE DELEITE DE UM AMARCORD FLATULENTO

Em Muzambinho, no Triângulo Mineiro, na fazenda onde eu nasci e fui criada, era muito comum fazermos churrasco com carne de porco. Papai adorava. Vovó então, comia carne de porco até se empapuçar. Já mamãe evitava, e sempre me dizia: 

"Você é uma menina, vai peidar muito se comer carnes perfumadas assim, melhor evitar". 

Eu nunca questionei. Respeitava muito os conselhos de Mamãe. Era uma mulher muito esclarecida. Tudo o que ela dizia, eu simplesmente acatava. Mas confesso que achava que havia um pequeno exagero naquilo tudo. Tanto que, sempre que mamãe não estava por perto, nunca deixei de comer carne de porco, e nunca me senti flatulenta nas horas seguintes. Mas comia com moderação, ao contrário de Vovó. 

De qualquer maneira, o conselho de Mamãe permaneceu aceso em minha mente como um alerta. Até hoje, aos 69 anos de idade, ele continua acoando na minha cabeça. 

Pois bem: nesse último domingo de Páscoa, fui convidada para almoçar no sítio à beira da represa, em Riacho Grande, de um casal amigo que é babado fortíssimo, com quem andei brincando de "threesome" tempos atrás. Fui achando que iriam servir uma bacalhoada, ou algo assim. Para minha surpresa, o almoço de Páscoa foi Churrasco. Pior: um churrasco temático, só com cortes de Carne de Porco. 

Encarei com algum receio e com muita parcimônia, sempre lembrando dos conselhos de Mamãe. Mas então a conversa foi ficando mais quente, e eu, que era meio reticente a costelinhas ao molho barbecue -- achava que era coisa de texano viciado de catchup -- , fiquei encantada. Nunca tinha provado algo tão divino. Lá em Minas não se come dessas coisas. Acabei comendo muito além do que devia. Depois fiquei pensando:

 "Bom... melhor parar por aqui, pois se esses dois me chamaram com segundas e terceiras intenções, posso ter problemas digestivos durante a noite e aí não vai ser nada legal". 

Mas não, foi tudo muito tranquilo, deu tudo certo. Realmente os dois tinham outras intenções comigo. Dormimos juntos os três, depois de quase três horas de muita sacanagem à beira da lareira da casa. Impressionante como faz frio à noite à beira daquela Represa. 

Mas, por volta das 4 da manhã, aconteceu o que eu temia: acordei com muita vontade de peidar. Fui ao banheiro no meio da madrugada sem acordar os dois e fiquei horrorizada com o fedor que emanava de dentro de mim. Carne de porco já é naturalmente perfumada, com aquele molho adocicado então é um perigo. Fiquei mais de meia hora no banheiro, até me sentir segura para voltar a encarar o mundo lá fora. Deixei o vitrô aberto quando saí, peguei um ventilador com pedestal que vi pela casa e o trouxe para dentro do banheiro, onde o deixei ligado e empurrando o ar carregado para fora. Dez minutos depois, não havia mais o menor sinal do cheio ruim.

Depois daquilo, não tive coragem para voltar para a cama com eles. Tomei um banho, fiz um café e fui para a varanda da casa ver o dia amanhecer, enquanto lembrava de minha infância na fazenda. 

Aquela enorme Represa esvaziada pela Seca no Sudeste, que lembrava mais um rio pequeno, me levou de volta a Muzambinho, e às estrepolias que eu fazia com as primeiras meninas e os primeiros meninos da minha vida.

Os primeiros meninos da minha vida foram, claro, meus primos, que moravam em fazendas no Triângulo Mineiro, e que eu via muito esporadicamente. Confesso que tinha um pouco de medo deles. Mamãe, que foi iniciada sexualmente por primos antes de conhecer Papai, me deu muitos conselhos nesse sentido assim que completei 14 anos de idade e passei a ter um corpo atraente. 

Mamãe dizia: "Filha, tome muito cuidado, vida na roça tem poucos atrativos, e é natural que a gente acabe se envolvendo sexualmente com primos ou com peões da fazenda. Foi assim comigo. Dei pra muita gente. Por sorte, nunca engravidei, nem peguei doenças, e ainda encontrei um companheiro muito compreensivo no seu pai. Tome cuidado. Esses meninos fazem sexo com animais, frequentam prostitutas que desconhecem higiene pessoal e espalham sífilis e gonorreia por aí sem o menor constrangimento. Essas mulheres não tem a menor preocupação em educá-los sexualmente para que virem bons companheiros de cama para suas mulheres. Minha preocupação maior é que você engravide, ou pegue alguma doença deles. É muito perigoso. Saiba escolher bem os seus futuros parceiros sexuais. Não tenha medo de deixar de ser virgem, mas seja cautelosa."

Era a voz da experiência falando, e eu ouvia com muita atenção. Sempre que a família se reunia, rolava um assédio dos meninos pra cima de mim, um ou outro me chamava para cavalgar pela fazenda logo pela manhã, e eu dizia não. 

Mas a curiosidade sexual é muito forte nessa idade. E eu nunca fui de ferro. Daí, em vez de dar para meus primos me comessem, preferia saciar minha curiosidade sexual brincando com meus dois irmãos mais velhos, que se escondiam para me ver tomando banho no rio. 

Não fazia nada demais com eles. Deixava que me apalpassem e me chupassem. Fazia boquetes neles, e deixava eles gozarem na minha boca. Batia punheta para eles dois ao mesmo tempo. Me esfregava com eles, trocávamos carícias, mas penetração, nem pensar. Cheguei a ameaçar os dois uma vez, dizendo que se forçassem a barra comigo usando de violência, eu contaria tudo para a família inteira e a brincadeira acabaria. Eles acataram. Eram bons meninos. 

De certa forma, eu sempre tentava passar para eles as lições de vida que Mamãe passava só para mim: que zoofilia não é legal, que putas gonorrentas e sifilíticas devem ser evitadas ao máximo, e que o importante era que eles se relacionassem com mulheres limpas e fossem bons amantes para elas. 

Era engraçado eu dar tantos conselhos para os dois sem ter nunca dado para ninguém na vida. 

Mas, mesmo assim, acho que tive um papel fundamental na formação dos dois. 

Houve uma vez, no entanto, em que um primo meio distante, lá de Uberaba, se insinuou e eu cedi aos encantos dele. Não aguentava mais fazer tanta sacanagem com meus irmãos e continuar virgem. Estava na hora de dar um passo adiante naquela brincadeira repetitiva. 

Fomos tomar banho de rio juntos e depois viemos para a margem. E, para meu azar, não foi nada bom. O coitado fodia muito mal, era completamente desajeitado. Pensei que por ser da cidade, ele tivesse outro tipo de experiência de vida. Ledo engano. Deve ter sido escolado por umas putas bem primárias. 

Só serviu mesmo para me libertar do maldito lacre vaginal. 

Daí em diante, me senti uma mulher livre. 

Livre inclusive para nunca mais querer foder com outro homem depois daquilo, se fosse o caso.

Mas não foi o caso, claro. 

Pelo contrário, despertou minha curiosidade pelas minhas primas. 

Devorei uma por uma antes de completar 16 anos. 

Quando casaram -- mulher casa muito cedo em Minas --, passaram a me evitar como o diabo foge da cruz. 

Duas delas, depois que enviuvaram, voltaram a me procurar. Uma chegou até a me dizer que era eternamente grata pelos momentos que proporcionei a ela. Não disse nada a ela, achei aquilo tudo muito triste. 

Graças aos conselhos de Mamãe, não tive a vida patética que elas tiveram.

Enquanto amanhecia, eu olhava para a Represa vazia, que mais parecia um riacho, e lembrava de um momento muito especial que tive com uma tia aos 17 anos de idade na fazenda. 

Essa tia era uma prima bem jovem da minha mãe, tinha não mais que 30 anos na ocasião, e era considerada solteirona para os padrões da família. 

Rolava uma dessas festas de família lá na fazenda. A casa estava cheia e, para acomodar a família toda, me colocaram junto a ela em colchonetes no chão do quarto da Vovó. 

Como Vovó tinha problemas sérios de flatulência, era simplesmente impossível dormir no mesmo quarto com ela depois de um churrasco. 

Nós duas passamos aquela noite em claro, longe do quarto empesteado por aquele fedor ancestral. Primeiro fomos para a sala, onde conversamos calorosamente, nos insinuando uma para a outra o tempo todo. 

Quando a conversa esquentou pra valer, trocamos beijos, depois pegamos algumas toalhas e fomos tomar banho nuas no rio. Foi maravilhoso. Pela primeira vez, eu estava diante de uma mulher de verdade, não de priminhas atrapalhadas que mal sabiam se masturbar. 

Titia era craque. Sapa de armário com anos e anos de experiência na Velcrolândia de Belo Horizonte. Me ensinou truques inestimáveis. Brincava com as reações do meu corpo com uma maestria assombrosa. 

Pela primeira vez na vida, senti o que era a verdadeira satisfação sexual.

Titia casou pouco depois disso com um médico e mudou para a Alemanha. 

Nunca mais a vi. 

Sei que ainda é viva, sei que o casamento foi de fachada -- o médico é do babado também --, mas nunca mais nos falamos desde então. 

Provavelmente, ela não tem a menor noção do quanto foi importante para mim. 

Confesso que morro de medo de reencontrá-la novamente. Sempre que vejo Natália Timberg e Fernanda Montenegro juntas aos 80 e tantos anos trocando beijos na novela das 9 da TV Globo, tenho certeza de que não quero vê-la novamente. 

Prefiro ter Titia linda e jovem, cristalizada nas minhas lembranças. 

Já passava das Sete da Manhã e eu decidi descer a Serra logo cedo, mas liguei antes para meu chefe Manuel Mann -- vocês o conhecem bem --  para saber se a entrada de Santos ainda estava interrompida por conta do Incêndio nos Tanques de Combustível. 

Manuel me tranquilizou dizendo que estava tudo bem, para descer tranquila, e pediu que eu estmasvesse no Café Carioca (Praça Mauá, ao lado do Palácio da Prefeitura), às 11 da manhã para um brunch com pasteizinhos (5 reais cada) e bolinhos de bacalhau (6 reais cada), onde faríamos uma reunião de pauta e ele me apresentaria duas estagiárias recém-contratadas -- "muito talentosas", diz ele -- que pescou numa palestra recente que deu numa Universidade em Santos.

Então eu desci. 

Sem pressa. 

Pensando na Titia, e naqueles momentos inesquecíveis ao lado dela.

E, claro, curiosa para checar o shape das novas garoupinhas do Manuel, pois aquele portuga galante não dá ponto sem nó. 

Assim que passei pelo Incêndio nos Tanques de Gasolina na Entrada de Santos, pensei cá com meus botões: "Ainda bem que a crise de flatulência que herdei de Vovó ficou lá, na atmosfera de São Bernardo do Campo. Já pensou que perigo passar diante desse fogo todo aqui com tantos gases tentando escapar do corpo da gente?"


Jurema Cartwright, 69, escreve 
semana sim, semana não, 
sobre suas aventuras amorosas 
e as delícias da baixa gastronomia 
em MANIA FEIA