Wednesday, May 20, 2015

VOVÓ, MAMÃE, TITIA E O DOCE DELEITE DE UM AMARCORD FLATULENTO

Em Muzambinho, no Triângulo Mineiro, na fazenda onde eu nasci e fui criada, era muito comum fazermos churrasco com carne de porco. Papai adorava. Vovó então, comia carne de porco até se empapuçar. Já mamãe evitava, e sempre me dizia: 

"Você é uma menina, vai peidar muito se comer carnes perfumadas assim, melhor evitar". 

Eu nunca questionei. Respeitava muito os conselhos de Mamãe. Era uma mulher muito esclarecida. Tudo o que ela dizia, eu simplesmente acatava. Mas confesso que achava que havia um pequeno exagero naquilo tudo. Tanto que, sempre que mamãe não estava por perto, nunca deixei de comer carne de porco, e nunca me senti flatulenta nas horas seguintes. Mas comia com moderação, ao contrário de Vovó. 

De qualquer maneira, o conselho de Mamãe permaneceu aceso em minha mente como um alerta. Até hoje, aos 69 anos de idade, ele continua acoando na minha cabeça. 

Pois bem: nesse último domingo de Páscoa, fui convidada para almoçar no sítio à beira da represa, em Riacho Grande, de um casal amigo que é babado fortíssimo, com quem andei brincando de "threesome" tempos atrás. Fui achando que iriam servir uma bacalhoada, ou algo assim. Para minha surpresa, o almoço de Páscoa foi Churrasco. Pior: um churrasco temático, só com cortes de Carne de Porco. 

Encarei com algum receio e com muita parcimônia, sempre lembrando dos conselhos de Mamãe. Mas então a conversa foi ficando mais quente, e eu, que era meio reticente a costelinhas ao molho barbecue -- achava que era coisa de texano viciado de catchup -- , fiquei encantada. Nunca tinha provado algo tão divino. Lá em Minas não se come dessas coisas. Acabei comendo muito além do que devia. Depois fiquei pensando:

 "Bom... melhor parar por aqui, pois se esses dois me chamaram com segundas e terceiras intenções, posso ter problemas digestivos durante a noite e aí não vai ser nada legal". 

Mas não, foi tudo muito tranquilo, deu tudo certo. Realmente os dois tinham outras intenções comigo. Dormimos juntos os três, depois de quase três horas de muita sacanagem à beira da lareira da casa. Impressionante como faz frio à noite à beira daquela Represa. 

Mas, por volta das 4 da manhã, aconteceu o que eu temia: acordei com muita vontade de peidar. Fui ao banheiro no meio da madrugada sem acordar os dois e fiquei horrorizada com o fedor que emanava de dentro de mim. Carne de porco já é naturalmente perfumada, com aquele molho adocicado então é um perigo. Fiquei mais de meia hora no banheiro, até me sentir segura para voltar a encarar o mundo lá fora. Deixei o vitrô aberto quando saí, peguei um ventilador com pedestal que vi pela casa e o trouxe para dentro do banheiro, onde o deixei ligado e empurrando o ar carregado para fora. Dez minutos depois, não havia mais o menor sinal do cheio ruim.

Depois daquilo, não tive coragem para voltar para a cama com eles. Tomei um banho, fiz um café e fui para a varanda da casa ver o dia amanhecer, enquanto lembrava de minha infância na fazenda. 

Aquela enorme Represa esvaziada pela Seca no Sudeste, que lembrava mais um rio pequeno, me levou de volta a Muzambinho, e às estrepolias que eu fazia com as primeiras meninas e os primeiros meninos da minha vida.

Os primeiros meninos da minha vida foram, claro, meus primos, que moravam em fazendas no Triângulo Mineiro, e que eu via muito esporadicamente. Confesso que tinha um pouco de medo deles. Mamãe, que foi iniciada sexualmente por primos antes de conhecer Papai, me deu muitos conselhos nesse sentido assim que completei 14 anos de idade e passei a ter um corpo atraente. 

Mamãe dizia: "Filha, tome muito cuidado, vida na roça tem poucos atrativos, e é natural que a gente acabe se envolvendo sexualmente com primos ou com peões da fazenda. Foi assim comigo. Dei pra muita gente. Por sorte, nunca engravidei, nem peguei doenças, e ainda encontrei um companheiro muito compreensivo no seu pai. Tome cuidado. Esses meninos fazem sexo com animais, frequentam prostitutas que desconhecem higiene pessoal e espalham sífilis e gonorreia por aí sem o menor constrangimento. Essas mulheres não tem a menor preocupação em educá-los sexualmente para que virem bons companheiros de cama para suas mulheres. Minha preocupação maior é que você engravide, ou pegue alguma doença deles. É muito perigoso. Saiba escolher bem os seus futuros parceiros sexuais. Não tenha medo de deixar de ser virgem, mas seja cautelosa."

Era a voz da experiência falando, e eu ouvia com muita atenção. Sempre que a família se reunia, rolava um assédio dos meninos pra cima de mim, um ou outro me chamava para cavalgar pela fazenda logo pela manhã, e eu dizia não. 

Mas a curiosidade sexual é muito forte nessa idade. E eu nunca fui de ferro. Daí, em vez de dar para meus primos me comessem, preferia saciar minha curiosidade sexual brincando com meus dois irmãos mais velhos, que se escondiam para me ver tomando banho no rio. 

Não fazia nada demais com eles. Deixava que me apalpassem e me chupassem. Fazia boquetes neles, e deixava eles gozarem na minha boca. Batia punheta para eles dois ao mesmo tempo. Me esfregava com eles, trocávamos carícias, mas penetração, nem pensar. Cheguei a ameaçar os dois uma vez, dizendo que se forçassem a barra comigo usando de violência, eu contaria tudo para a família inteira e a brincadeira acabaria. Eles acataram. Eram bons meninos. 

De certa forma, eu sempre tentava passar para eles as lições de vida que Mamãe passava só para mim: que zoofilia não é legal, que putas gonorrentas e sifilíticas devem ser evitadas ao máximo, e que o importante era que eles se relacionassem com mulheres limpas e fossem bons amantes para elas. 

Era engraçado eu dar tantos conselhos para os dois sem ter nunca dado para ninguém na vida. 

Mas, mesmo assim, acho que tive um papel fundamental na formação dos dois. 

Houve uma vez, no entanto, em que um primo meio distante, lá de Uberaba, se insinuou e eu cedi aos encantos dele. Não aguentava mais fazer tanta sacanagem com meus irmãos e continuar virgem. Estava na hora de dar um passo adiante naquela brincadeira repetitiva. 

Fomos tomar banho de rio juntos e depois viemos para a margem. E, para meu azar, não foi nada bom. O coitado fodia muito mal, era completamente desajeitado. Pensei que por ser da cidade, ele tivesse outro tipo de experiência de vida. Ledo engano. Deve ter sido escolado por umas putas bem primárias. 

Só serviu mesmo para me libertar do maldito lacre vaginal. 

Daí em diante, me senti uma mulher livre. 

Livre inclusive para nunca mais querer foder com outro homem depois daquilo, se fosse o caso.

Mas não foi o caso, claro. 

Pelo contrário, despertou minha curiosidade pelas minhas primas. 

Devorei uma por uma antes de completar 16 anos. 

Quando casaram -- mulher casa muito cedo em Minas --, passaram a me evitar como o diabo foge da cruz. 

Duas delas, depois que enviuvaram, voltaram a me procurar. Uma chegou até a me dizer que era eternamente grata pelos momentos que proporcionei a ela. Não disse nada a ela, achei aquilo tudo muito triste. 

Graças aos conselhos de Mamãe, não tive a vida patética que elas tiveram.

Enquanto amanhecia, eu olhava para a Represa vazia, que mais parecia um riacho, e lembrava de um momento muito especial que tive com uma tia aos 17 anos de idade na fazenda. 

Essa tia era uma prima bem jovem da minha mãe, tinha não mais que 30 anos na ocasião, e era considerada solteirona para os padrões da família. 

Rolava uma dessas festas de família lá na fazenda. A casa estava cheia e, para acomodar a família toda, me colocaram junto a ela em colchonetes no chão do quarto da Vovó. 

Como Vovó tinha problemas sérios de flatulência, era simplesmente impossível dormir no mesmo quarto com ela depois de um churrasco. 

Nós duas passamos aquela noite em claro, longe do quarto empesteado por aquele fedor ancestral. Primeiro fomos para a sala, onde conversamos calorosamente, nos insinuando uma para a outra o tempo todo. 

Quando a conversa esquentou pra valer, trocamos beijos, depois pegamos algumas toalhas e fomos tomar banho nuas no rio. Foi maravilhoso. Pela primeira vez, eu estava diante de uma mulher de verdade, não de priminhas atrapalhadas que mal sabiam se masturbar. 

Titia era craque. Sapa de armário com anos e anos de experiência na Velcrolândia de Belo Horizonte. Me ensinou truques inestimáveis. Brincava com as reações do meu corpo com uma maestria assombrosa. 

Pela primeira vez na vida, senti o que era a verdadeira satisfação sexual.

Titia casou pouco depois disso com um médico e mudou para a Alemanha. 

Nunca mais a vi. 

Sei que ainda é viva, sei que o casamento foi de fachada -- o médico é do babado também --, mas nunca mais nos falamos desde então. 

Provavelmente, ela não tem a menor noção do quanto foi importante para mim. 

Confesso que morro de medo de reencontrá-la novamente. Sempre que vejo Natália Timberg e Fernanda Montenegro juntas aos 80 e tantos anos trocando beijos na novela das 9 da TV Globo, tenho certeza de que não quero vê-la novamente. 

Prefiro ter Titia linda e jovem, cristalizada nas minhas lembranças. 

Já passava das Sete da Manhã e eu decidi descer a Serra logo cedo, mas liguei antes para meu chefe Manuel Mann -- vocês o conhecem bem --  para saber se a entrada de Santos ainda estava interrompida por conta do Incêndio nos Tanques de Combustível. 

Manuel me tranquilizou dizendo que estava tudo bem, para descer tranquila, e pediu que eu estmasvesse no Café Carioca (Praça Mauá, ao lado do Palácio da Prefeitura), às 11 da manhã para um brunch com pasteizinhos (5 reais cada) e bolinhos de bacalhau (6 reais cada), onde faríamos uma reunião de pauta e ele me apresentaria duas estagiárias recém-contratadas -- "muito talentosas", diz ele -- que pescou numa palestra recente que deu numa Universidade em Santos.

Então eu desci. 

Sem pressa. 

Pensando na Titia, e naqueles momentos inesquecíveis ao lado dela.

E, claro, curiosa para checar o shape das novas garoupinhas do Manuel, pois aquele portuga galante não dá ponto sem nó. 

Assim que passei pelo Incêndio nos Tanques de Gasolina na Entrada de Santos, pensei cá com meus botões: "Ainda bem que a crise de flatulência que herdei de Vovó ficou lá, na atmosfera de São Bernardo do Campo. Já pensou que perigo passar diante desse fogo todo aqui com tantos gases tentando escapar do corpo da gente?"


Jurema Cartwright, 69, escreve 
semana sim, semana não, 
sobre suas aventuras amorosas 
e as delícias da baixa gastronomia 
em MANIA FEIA




CALOR NA BACURINHA NO EQUINÓCIO DE MARÇO


Tinha um roqueiro inglês dos anos 1970 bem viadinho chamado Tom Robinson, que cantava uma musiquinha panfletária bem chocha que lembrava The Kinks, só que sem o senso de humor implacável das canções de Ray Davies, líder dos Kinks, chamada "Sing If You're Glad To Be Gay". Virou hino na época, apesar de não merecer.

Pois bem: eu acho um saco esse nhem-nhem-nhem de "Glad To Be Gay". Odeio fazer parte (indiretamente) desse embuste chamado Gay Pride. Tudo conversa pra biba dormir. Bichas podem ser muito divertidas 30% do tempo, mas nos outros 70% são insuportavelmente chatas. 

Verdade seja dita: Sapas Have More Fun!




Eu sempre fui Sapa. E sempre tive plena consciência das minhas preferências sexuais. Sim, porque preferência, para mim, não é sina. É preferência, apenas. O fato de ter um apreço todo especial por bucetinhas nunca foi um empecilho para que eu fizesse fizesse barba, cabelo e bigode em uma piroca de tempos em tempos. Sou Sapa, mas, antes de mais nada, sou mulher prá caralho. Me desculpem o linguajar chulo, mas cansei de não ser compreendida por ser sutil demais. 

O caso é que todo ano nessa época, em pleno Equinócio de Março, bem no início do Outono, acontece alguma espécie de transformação em mim, e, repentinamente, volto a ter vontade de brincar com os meninos. Falando português bem claro: volto a ter vontade de levar rola na perseguida. É uma espécie de chamado selvagem, de um tipo que Jack London jamais entenderia. Um comichão sazonal. Dura uns dez dias, e depois passa. Mas, enquanto dura, provoca sempre uma série de acontecimentos pitorescos na minha vida.




Para que vocês tenham uma ideia, teve uma vez, 40 anos atrás, que eu embarquei numa festa de meninos -- uma surubinha soft com três amigos, em que rolou uma DP bem carinhosa. Pois bem: um mês depois da brincadeira, eu descobri que estava grávida. Pensei comigo mesma: "É muita sacanagem! Faço isso uma vez a cada ano, não é justo eu ser penalizada assim!". Qualquer um dos meus três amigos poderia ser o pai. Esperei mais um mês e meio para ver se não brotava em mim alguma espécie de instinto materno. Nada. Então não tive dúvidas: peguei o endereço de um obstetra que tinha uma clínica de abortos clandestina, e me internei lá. Já internada, eu dizia para o obstetra: "É possível uma coisa dessas, Doutor? É ou não é muito azar? Eu sou Sapa! Eu não mereço passar por isso! Em seus muitos anos de profissão, o Senhor já cuidou de algum caso semelhante ao meu?" Ele ria meio assustado comigo e balançava a cabeça, indicando que não. Pensei comigo mesma: "Meu Deus, só eu para conseguir deixar um médico aborteiro enrubecido!"

Pois bem: o Outono acaba de chegar e já estou sentindo os velhos comichões novamente. Nunca falha, é impressionante. Isso sim é que é Instinto Selvagem, o resto é perfumaria. E que atire a primeira pedra quem nunca viveu um momento Dr. Jeckyl & Mr. Hyde. 



Nesses dias, o jeito é fazer como as mulheres solteiras e (ou) descoladas fazem: Vou à Caça. 

O fato de ter 69 anos de idade poderia ser um problema, mas, curiosamente, ainda não é. Engano bem a minha idade. Estou em forma, inteiramente recauchutada, com seios novos bem bacanas -- tenho muito orgulho deles! -- e minha velha bucetinha inteiramente redesenhada, para esconder sinais de velhice. Como dizia um velho amigo, não há nada mais bandeiroso que buceta de velha: é escura por fora e vermelha lá no fundão, como um Rosbife que assou demais no forno. A minha era assim até dois anos atrás. Não é mais. Ficou linda, está parecendo bucetinha de adolescente. Está tão apertadinha que tenho até medo de foder com algum bofe bem dotado demais nesses primeiros dias de Outono. Por sorte, os homens que peguei nesses últimos dois anos tinham trombas com dimensões de acordo com meus novos orifícios. Sim, porque meu cu também passou por um "extreme makeover". Ganhei pregas novas em folha, e está tudo rosinha que nem cu de bebê depois de várias sessões de clareamento anal. Modéstia à parte, estou uma bonequinha aos 69 anos.



Então, se antes eu me vestia para matar na hora de ir à caça, hoje eu pego mais leve. Ao invés de apostar minhas fichas num traje sexy e provocante, que pode destoar demais da minha idade, hoje eu prefiro colocar um vestido discreto, fino e levemente sensual, que indique claramente que não estou usando nem soutien e muito menos calcinha. Capricho no make-up e vou à luta.

Sexta-feira passada, no auge do comichão, fui a um bar cuja dona é uma velha amiga, e que é frequentado por pessoas de meia idade aqui da cidade. Assim que cheguei, sentei à mesa dela -- sempre uma mesa grande, agregadora, com dois casais e alguns homens e mulheres desgarrados -- e me preparei para flertar com algum dos homens presentes.

Mas antes mesmo que eu começasse a fazer isso, senti uma mulher muito interessante olhando fundo nos meus olhos. Era uma advogada de cinquenta e poucos anos, bonitona, olhos claros, com um jeitão meio austero, mas sorridente o bastante para me cativar de imediato. Seu nome: Wilma. Começamos a beber e conversar, e duas horas depois já estávamos lá em casa, nuas e completamente bêbadas na minha cama, dando tapões na bunda uma da outra com raquetes de ping-pong, e rindo muito. Pedi para que ela me fodesse com uma cinta peniana que comprei um dia desses pelo Correio e ainda não tinha estreado. Ela gostou bastante, nunca tinha feito isso. Depois foi minha vez no troca-troca, que durou até a manhã de sábado. 
Como Wilma também gosta de homens, combinamos ir à Caça juntas no sábado, e seguimos até uma boate no Centro da Cidade. Pegamos dois garotões do tipo "bimbo", marombados de praia, com alma de gigolô, que logo acharam que iriam se criar em cima de nós duas, que posamos de mulheres carentes. Na cabeça desses bofes, depois de uma ou duas sessões de sexo olímpico, quase heróico, iriam morder nossas carteiras pelo tempo em que implorássemos que permanecessem ao nosso lado. Mal eles sabiam que seriam descartados logo depois da primeira noite. Propusemos a eles uma surubinha, com nós quatro juntos num hotel. Foi muito bom. Para mim foi curioso embarcar numa suruba depois de tantos anos. Infelizmente, não teve a leveza que costumava ter lá atrás, em tempos pré-AIDS. Mas foi engraçado. Se bem que, lá pelas tantas, a coisa toda ficou um tanto quanto incômoda. Não tenho saco para gente que posa na hora de foder. Esses gigolozinhos de hoje são narcisistas demais. Aprenderam a foder vendo filmes da Vivid Video. Parecem viver um ardente caso de amor com eles próprios. 

(desde que enviuvou, Wilma faz uso constante dos "serviços" desses gigolozinhos em início de carreira, mas é a primeira a afirmar que o "nível do serviço" baixou demais nos últimos anos, e afirma: não se faz mais gigolôs como antigamente)

Nesta última segunda-feira, depois do trabalho, eu estava na Realejo Livros, na Praça da Independência, tomando um cafezinho com Wilma, e ela me disse que tem sido uma experiência e tanto conhecer biblicamente a autora dos textos sacanas que saem publicados aqui em LEVA UM CASAQUINHO. 

Eu agradeci, meio encabulada. Disse a ele que para mim ainda é um problema fazer relatos tão bandalhos num blog e depois andar pela rua como se fosse uma "pessoa normal". 

Wilma gargalhou alto. Disse a ela, rindo: "Querida, entenda uma coisa, eu sou mineira... posso ser uma libertina, mas sou, antes de mais nada, uma provinciana".


E então, eis que entra na Livraria uma bicha alta, grisalha e bem pintosa, Waldyr, que conheço há muitos anos, e que, até onde eu sei, nunca leu um livro na vida. 

A bicha pede a biografia do Pepe, lendário jogador do Santos Futebol Clube, e o meu amigo Zé Luiz Tahan, dono da Realejo, muito pacientemente, explica à bicha que ainda não tem o livro para vender, pois ele ainda não existe -- ainda vai sair, está no prelo. 

A bicha olha para o Zé e começa a rir muito, provavelmente por não saber o que é "prelo" -- deve ter achado ser alguma safadeza, afinal não pensa em outra coisa....

Deixei Wilma folheando um livro com fotos históricas de Pelé, editado pela Realejo Livros mesmo, e puxei conversa com a bicha, que me contou estar vivendo um momento terrível. Sua mãe está com Alzheimer. Ele contratou uma ex-namorada dos tempos de adolescência para cuidar da mãe -- Waldyr se descobriu gay já adulto, servindo o Exército -- e essa ex-namorada, que hoje é uma solteirona bêbada extremamente mal humorada, resolveu infernizar a vida dele. O fim da picada, segundo Waldyr, foi ficar sabendo por um bofe amigo que toda vez que liga para a casa dele, a bêbada louca atende gritando: "O que é que você quer com o meu marido?". 

Depois de contar isso, Waldyr começou a chorar, dizendo não saber mais o que fazer com sua mãe e sua antiga ex-namorada, e que estava pensando seriamente em não voltar tão cedo para a companhia das duas. 

Pensei comigo mesma: "Vou arrastar a bicha lá pra casa, dar um pouco de vinho e de colo, ouvir mais lamúrias e depois devorar a bicha, pois faz tempo que eu não desencaminho um espécime desses". Pensei ainda mais longe: "Vou fazer com que a bicha tenha uma ereção com uma mulher como nunca tem desde a adolescência, quando fodia a hoje cuidadora de idosos bêbada.

Perguntei para Wilma: "Você encara a bicha aí?" 

Ela respondeu: "Eu passo, divirta-se". 

E lá fui eu, para casa, com Waldyr, em prantos, a reboque. Engatei um boquete na bicha dentro do elevador. Já dentro de casa, deixei a bicha completamente nua, e em seguida mandei que sentasse no sofá para poder dar continuidade ao boquete enquanto enfiava o Deep Purple aí da foto abaixo no fiofó dele. Waldyr ficou tão excitado que gritava "Ai meu Deus! Ai Meus Deus!" enquanto gozava abundamente na minha boca. Foi engraçado. Em seguida ofereci minha bunda toda arreganhada para ele. Pois não é que a bicha bombou às mil maravilhas, com Deep Purple enterrado em seu derrière? Bicha é fogo: nem quis saber da minha buceta, foi direto no meu cu, e ficou por lá a noite inteira.
Waldyr desemprenhou tão bem que acordou no dia seguinte em crise de identidade. Deixou as viadagens de lado e começou a se comportar como um cavalheiro. Disse a Waldyr para deixar de ser ridículo. 

Ele respondeu: "Você não está entendendo.... eu adorei ontem à noite... e eu quero mais..". Me convidou para jantar. 

Eu respondi a ele: "Só se você trouxer com você alguma amiga para me apresentar". 

Waldyr disse: "Huuuumm... me aguarde!"



Nos encontramos mais à noite no tradicionalíssimo Restaurante São Paulo, na Rua Carlos Afonseca esquina com Galeão Carvalhal. 

Eu cheguei antes e segurei uma mesa. Waldyr chegou 15 minutos depois, acompanhado de uma morena linda com porte de bailarina chamada Amanda -- um mulherão de tirar o fôlego, lindíssima, 45 anos, recém-divorciada, e recém-convertida à Velcrolândia.

Conversamos muito enquanto comíamos -- e como se come bem naquele lugar. Amanda e eu dividimos uma travessa enorme de Filet à Daniel, com dois bifes bem grandes de filet mignon com molho roty, acompanhado de arroz branco e batatas portuguesas fritas (110 reais). Waldyr preferiu um prato expresso de Meca Santista, com molho de camarões, risoto de pupunha, farofa de banana (45 reais). Bebemos 6 garrafas de 600 ml cada de cerveja Paulistânia e provamos todas as cinco variedades dela disponíveis no cardápio (13 reais cada).

Ao sairmos do Restaurante, propus aos dois irem até meu apartamento para um cafezinho, um licor e algo mais. Waldyr olhou para Amanda e disse: "Meu Deus, é hoje que vou ter que comer minha melhor amiga". Amanda sorriu, deu um abraço nele, e respondeu: "Engano seu, bicha, nós duas é que vamos comer você, prepare-se para o abate.". 

Na manhã do dia seguinte, Waldyr acordou tão atrapalhado depois de ser devorado por nós duas num Ménage à Trois movimentadíssimo que resolveu voltar para sua casa e cuidar de sua mãe gagá e de sua antiga ex-namorada bêbada. Por pior que fosse, lá ele ao menos se sentia seguro e não corria o risco de ter suas convicções sexuais abaladas.

Quanto a Amanda, ficamos de nos encontrar novamente neste sábado. Tenho uma amiga lá de Minas que vem me visitar, e que ela vai gostar de conhecer.

Meninas, acho o comichão acabou.

Velcrolândia, there we go again!



Jurema Cartwright, 69, escreve 
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EU, AS MULATAS E OS CAMINHONEIROS EM GREVE



Adoro carícias embrutecidas. Desde pequena. É da minha natureza, não adianta. 

Já Sadismo e Masoquismo não me interessam nem um pouco, acho coisa de gente doente. 

Na verdade, eu gosto mesmo é de truculência. 

Adoro sair arrepiando nessa mulherada recém-chegada ao Universo do "Amor Entre Iguais" que pensa que sexo entre mulheres é "um lance mais climático" pelo simples fato de não ter um "falo duro no meio das pernas" conduzindo o carrossel em alta velocidade. 

O importante é ter pegada. Tendo pegada, o "falo duro no meio das pernas" pode até ser totalmente dispensável. Eu sempre me garanti nesse meio de campo. Mesmo assim, não confio 100% no meu taco. 

Se eu sinto que pegada não é o suficiente, não hesito recorrer à minha coleção de gadgets eróticos de última geração para por ordem no galinheiro. Pobre de quem não tem um Plano B, um Plano C e um Plano D na cartola para não fazer feio na hora do vamos ver. 

Tem mais: toda lésbica recém-abduzida precisa de manutenção constante, caso contrário a opção sexual pela velcrolândia corre o sério risco de não se concretizar pra valer, pois as chances das neo-sapinhas voltarem a procurar parceiros com um "falo duro entre as pernas" é sempre alta. 

Aprendi isso a duras penas. 

Hoje, não corro mais riscos inutilmente.




Enfim, estou falando tudo isso porque essas três últimas semanas foram difíceis para mim. 

Muito desgastante ter que correr até São Paulo quase todos os dias a trabalho, enfrentando na volta a Santos uma série de adversidades, que vão desde chuvas torrenciais na Serra do Mar até uma incômoda greve de caminhoneiros contra medidas desastradas cometidas pela "Presidenta" Dilma Rousseff, que atrasou a vida que quase todos os que ficaram presos no trânsito da estrada durante vários dias.

No primeiro dia em que dei de cara com a greve dos caminhoneiros no meu caminho, fiquei profundamente irritada. 

O que me salvou de minha própria irritação foi uma preciosidade que encontrei num Sebo em Pinheiros logo após o almoço: um exemplar da primeira edição de "Eu e o Governador", magnífico romance de Adelaide Carraro, autografado, que li há mais de 40 anos, e que está há muito fora de circulação nas livrarias.

 Comecei a ler o livro sentada ao volante e aguardei calmamente até poder seguir viagem de volta a Santos.


Mas, no dia seguinte, a mesma cena se repetiu novamente. 

E, dessa vez, eu não tinha "Eu e o Governador" para me salvar do tédio absoluto. 

Tentei ouvir rádio para acalmar e deixar o tempo passar, mas me irritei mais ainda. Então, saí do carro e fui até a beira da estrada conversar com os caminhoneiros grevistas e saber mais mais detalhes sobre o porquê daquilo tudo. 



Foi quando conheci Janine, uma mulata bem robusta e bem falastrona que dirigia um dos caminhões. A julgar pelo olhar que ela disparou para mim, presumi que ela fosse do babado. Puxei conversa com ela, e logo percebi que estava enganada. 

Ela me contou sua história: tem casa em São Vicente onde vive com uma irmã funcionária pública, é viúva há dez anos, herdou o caminhão e a profissão do marido e tratou de tocar a vida em frente, sem olhar para trás, Nunca teve filhos. Gosta de homens, mas não quer saber de mais nenhum homem metendo o bedelho em sua vida. O finado marido a maltratava muito. Quando ele morreu, ela deu graças a Deus, e encerrou em definitivo o capítulo "casamento" em sua vida. Parceiros de cama agora só eventuais, e olhe lá.

Claro que eu, que sempre fui metida a abelha-rainha, adorei o desafio que ela estava colocando para mim. Quanto mais sentia que ela seria difícil de arrebatar, mais interessada ficava em tentar abduzi-la. Tratei de descobrir quais eram as coisas que mais interessavam a ela. Respostas: Candomblé, Culinária, Alcione. Disse para mim mesma: "Não vai ser fácil, mas acho que eu chego lá"

Quando o trânsito na estrada normalizou, e vários caminhoneiros começaram a ir embora, propus a ela sairmos para comer alguma coisa. Ela agradeceu, mas declinou. Disse que continuaria fazendo vigília na estrada até o dia seguinte. 

Eu então fui embora, sem me despedir. 



Chegando em Santos, passei numa pizzaria bem fuleira na Avenida Nossa Senhora de Fátima, que ainda estava aberta, encomendei 10 pizzas grandes e voltei para a estrada trazendo comida para ela e para todos os caminhoneiros que estavam de vigília noturna. 

Janine sorriu aprovando minha atitude. 

Pensei comigo mesma: "Agora essa cavalona cai na minha rede"

Não caiu.


Fiquei ao lado dela a madrugada inteira -- que estava magnífica, com o céu aberto, totalmente estrelado -- e ela não se rendeu ao meu xaveco. 

Conversamos sobre um milhão de assuntos diferentes, de forma bastante calorosa, como se nos conhecêssemos há anos, mas sempre que eu tentava um corpo a corpo, a danada escorregava. 

Assim que começou a amanhecer, o sono começou a me derrubar por completo. Liguei para São Paulo desmarcando um compromisso que teria para as 11 da manhã e disse a ela que iria para casa dormir um pouco. 

Convidei-a para vir comigo. 

Ela agradeceu sorrindo e disse que continuaria no posto até ser rendida por algum outro caminhoneiro. Trocamos telefones e endereços, mas confesso que desisti de procurá-la nos dias seguintes. Preferi presas mais fáceis. 




Duas semanas mais tarde, no domingo em que se comemorou o Dia Mundial da Mulher, eis que Janine liga para mim, dá parabéns pelo nosso dia, vem com uma conversa estranha de que queria me ver e que queria também me apresentar para alguém. 

Propus que viessem até meu apartamento. 

Elas vieram. Ela e a irmã mais nova, Jacyrene. As duas muito parecidas fisicamente. Mas com uma grande diferença: Jacyrene gosta de mulheres. Já chegou escancarando suas preferências e contando histórias do arco da velha. Babado fortíssimo.

Foi só aí que eu finalmente entendi qual era o jogo de Janine. 

Deixei rolar, claro!

As duas disseram que estavam com fome, mas queriam mesmo é encher a cara de cerveja.



Saí com as duas e fomos até o Bar Goiás, um botequim bem simpático que fica há mais de 40 anos na esquina da Rua Goiás com o Canal 3. Os donos são portugueses que falam pelos cotovelos e que -- como todo português que se preze -- não paravam de vir até a mesa, de tão encantados que estavam com as duas mulatas com shortinhos bem apertados e decotes generosos. 

Num determinado momento, os dois pararam de vir, e começamos a ser atendidas pela mulher de um deles, que, imagino, não estava achando a menor graça no galanteio dos dois gajos. 

Foi muito engraçado.



O bar é bastante descontraído, e o atendimento não deixa a desejar. 

Estava tudo perfeito. 

As cervejas, Heineken 600 ml, chegaram à mesa no balde com gelo na temperatura certa, deliciosamente azedinhas.

Os preços eram bem camaradas. 



Já os bolinhos de bacalhau que pedimos estavam deliciosos, molhadinhos, com batata na medida certa e extremamente crocantes por fora. 

Paguei 80 reais em duas porções bem generosas com doze unidades cada. 


Depois que saímos de lá, meio bêbadas, fomos ao Radio City Café, do meu amigo Cláudio Mussi, no Parque Balneário Shopping, talvez o melhor espresso de Santos.

A ambientação da casa é muito simpática e tem a ver o métier do Cláudio, que é dono de várias emissoras de rádio aqui na cidade.

Ele nos recebeu com muita satisfação em seu estabelecimento.

Sentamos numa mesinha lá fora, na passarela do Shopping. 

Todos os que passavam não conseguiam deixar de olhar para as duas exuberantes irmãs. 

Na verdade, eu também estava encantada, e perguntava a mim mesma quais seriam as minhas chances de arrastar as duas para minha cama -- mas não arrisquei nenhum prognóstico.

Fiz bem em não arriscar. 

Janine foi embora de mansinho assim que chegamos em casa, alegando que tinha um frete para pegar na manhã seguinte e precisaria estar bem descansada antes de cair na estrada. 

E com isso, meu sonho de consumo de um "threesome" com elas duas ficou adiando sabe-se lá até quando. 

Tudo bem, um dia eu ainda pego essa neguinha ensaboada.





Fizemos sexo a tarde inteira, Jacyrene e eu. Do jeito que eu gosto, no pancadão. Fiquei surpresa com a pegada forte da mulata. Confesso que perdi completamente o rebolado com ela em alguns momentos. Não foi nada fácil responder às investidas truculentas dela na mesma moeda. Por mais que não aparente, sou uma mulher de 69 anos. Jacyrene ainda não tem 40. 

Bem feito pra mim, que ainda achava ter physique-du-role para posar de abelha-rainha para garoupinhas 30 anos mais jovens que eu... 

Depois de horas e horas de muita putaria, preparei um omelete enorme com lascas de presunto parma e pedrinhas de queijo parmesão para nós duas. Bebemos mais algumas cervejas -- dessa vez, optamos pela Paulistânia Red, uma cerveja Lager deliciosa, bem avermelhada, fabricada no interior do Estado de São Paulo. 

Por volta de oito e meia da noite, já meio bêbadas novamente e completamente nuas, xingamos muito a "Presidenta" Dilma Rousseff da varanda lá de casa. Parece até que tem um vídeo de nós duas peladas circulando pela web. Não vi ainda. Estou curiosa.

Depois voltamos para cama e começamos tudo de novo, com intensidade redobrada, muito som e muita fúria, como tem que ser. 

Como diria a Rita Lee: "Acordamos o cortiço".


Jurema Cartwright, 69, escreve 
semana sim, semana não, 
sobre suas aventuras amorosas 
e as delícias da baixa gastronomia 
em MANIA FEIA.